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  • Kleber Del Claro

A Iniciação Científica é um caminho para o sucesso na carreira e na pós-graduação.


A Iniciação Científica é um caminho para o sucesso na carreira e

na pós-graduação.


Como prometido, aqui está o terceiro texto dessa série que se dedica a ajudar os estudantes de graduação e pós-graduação que pretendem ter uma carreira acadêmica, e obviamente, querem ter sucesso nesse caminho.

Para quem perdeu os primeiros textos aqui está o link:

https://www.cienciaquenosfazemos.org/blog


No texto de hoje, vamos falar um pouco sobre a importância da

Iniciação Científica (IC) para o sucesso na graduação, pós-graduação e mesmo na carreira fora da universidade.


Para os ingressantes na universidade temos que explicar o que é IC –

Iniciação Científica!


A IC é uma oportunidade única, muito característica do sistema de ensino universitário brasileiro, especialmente do sistema público. Essa ideia nasceu com o CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, depois se propagou pela CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e mais tardiamente chegou às FAPs – Fundações de Apoio à Pesquisa dos diferentes estados da nação. A maioria das universidades que participa dos programas de bolsas do CNPq e algumas FAPS possuem programas internos, com bolsas próprias também, uma contrapartida ao investimento federal ou estadual.

Na página do CNPq a IC é definida da seguinte maneira:


O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) é um programa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) cujo objetivo é contribuir para a formação de novos talentos em todas as áreas do conhecimento, através da concessão de cotas de bolsas de iniciação científica diretamente às Instituições de Ensino e Pesquisa.

As cotas concedidas anualmente são administradas pelas próprias Instituições participantes, sob a supervisão do CNPq. O Programa voltado a alunos de graduação deve servir de incentivo à formação de novos pesquisadores, privilegiando a participação ativa de bons alunos em projetos de pesquisa com qualidade acadêmica, mérito científico e orientação adequada. Os alunos participantes do programa deverão apresentar bom desempenho acadêmico e potencial para continuidade na carreira de pesquisa, sendo este um dos critérios de avaliação do programa do IF por parte do CNPq.”


No fim das contas a IC é seu ingresso no mundo da ciência. É a primeira porta que você abre em direção a uma vida acadêmica. Ao longo dos meus 30 anos como professor universitário federal e membro de câmaras de pesquisa em diferentes órgãos do país, dentre eles o próprio CNPq e depois de orientar mais de 75 alunos com bolsas de IC, pude descobrir no contato e acompanhamento da vida desses alunos que fazer uma Iniciação Científica:


1- Aumenta significativamente as chances de você descobrir que está na carreira certa;

2- Aumenta significativamente as chances de você descobrir a área em que quer seguir uma vida científica, dentro da carreira que escolheu;

3- É o primeiro passo, fundamental, em direção a Pós-graduação e uma vida acadêmica. Quem faz IC tem maiores chances de aprovação em programas de pós-graduação;

4- A IC vai ampliar seus conhecimentos gerais e específicos, incluindo redação, inglês e estatística;

5- Quem faz IC se torna um profissional melhor e mais interessante para o mercado de trabalho;


Todos os meus ex-alunos que se tornaram professores universitários fizeram Iniciação Científica durante sua graduação, todos, sem exceção. Meu filho mais velho acaba de ser aprovado para professor DE em uma universidade pública federal, ele fez IC, fez intercâmbio durante a IC. Então, se você quer seguir a vida acadêmica, faça uma IC!


Mas como iniciar uma Iniciação Científica?


O primeiro passo é identificar uma área de seu interesse no seu curso. A sala de aula ajuda, mas a literatura específica da área, a visita aos laboratórios, conversar com colegas mais velhos e professores acessíveis, é fundamental.

Veja as dicas iniciais no texto 1:

https://www.cienciaquenosfazemos.org/post/por-onde-come%C3%A7a-uma-carreira-acad%C3%AAmica-de-sucesso


Quando você identificar a área, o segundo passo é bater na porta do professor. Do seu futuro orientador. Como fazer isso?

Bom, algumas coisas seus pais já ensinaram a você, outras vou dar umas dicas aqui:

a) Escreva ao professor ou vá diretamente à sala dele e se apresente de modo cordial e educado. Bata na porta e espere, não interrompa, não vá entrando! Dê bom dia!

b) Leia antes sobre o que o professor faz, veja o Curriculum Vitae Lattes dele, ou o Researchgate, ou Google Schollar do professor. Hoje há muitas ferramentas na internet onde você pode especular sobre a vida científica da pessoa que você quer como orientador e saber se, como e onde a pessoa publica seus trabalhos, orienta, se vai a congressos, se está em programas de pós-graduação, se é bolsista do CNPq e etc. Você precisa chegar no professor já tendo algum conhecimento sobre ele e sobre o laboratório;

c) Vá preparado para dizer ao professor aquilo que você já sabe (por exemplo, inglês) e aquilo que não sabe (por exemplo, inglês) e como está disposto a enfrentar suas dificuldades, como está disposto a contribuir com o laboratório e equipe;

d) Demonstre um interesse real, ânimo, alegria em fazer parte dessa equipe a qual pleiteia entrar.


Um ponto muito importante é encontrar o orientador correto para você.

Veja dicas aqui no texto 2:

https://www.cienciaquenosfazemos.org/post/como-escolher-um-orientador-para-uma-carreira-acad%C3%AAmica-de-sucesso


Para saber se o orientador é uma pessoa com a qual você vai se dar bem, conversar com colegas, como ex-orientados da pessoa (quando possível) é muito bom. Mas tome cuidado, se você conversar com alguém que nunca foi um bom aluno, tentou fazer uma IC com essa pessoa e não deu certo, não por culpa do orientador, mas por culpa dessa pessoa, ela não vai lhe ser útil. Então, você ao obter informações sobre pessoas nas universidades tem que fazer uma dupla checagem, você deve tentar descobrir se seu informante também é uma pessoa confiável. Pois pessoas fofoqueiras e maledicentes nas universidades, não faltam!


Olha, quem fez Iniciação Científica direitinho comigo e quis seguir na vida acadêmica, a enorme maioria se deu bem! Fizeram mestrado, doutorado, pós-doutorado, muitos já são professores ou trabalham fora do país.

Eu já orientei 75 mestres e 21 doutores, todos fizeram IC, são pessoas que publicaram seus estudos, a grande maioria de uma forma ou de outra engajados no mercado de trabalho. Assim, eu recomendo de todo coração que você faça IC! Que sua IC seja a base de seu mestrado (pós-graduação), isso funciona! Escolha bem o que, onde e com quem crescer. Pois orientado e orientador bons, crescem juntos! E tudo começa na IC!


Boa sorte!

Um abração,

Kleber Del Claro


Kleber Del Claro é Pesquisador 1A do CNPq, tem mais de 200 trabalhos científicos publicados em revistas indexadas, vários livros nacionais e internacionais, orientou mais de 100 alunos entre graduandos, mestres, doutores e pós-doutores. Está na lista dos pesquisadores mais influentes do mundo.

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