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A Flor mais antiga do mundo abriu numa manhã há mais de 174 milhões de anos? Será?


O fóssil da planta com flores mais antiga do mundo (à esquerda) com uma ilustração de como poderia ter sido cerca de 174 milhões de anos atrás (à direita).

(Imagem: © Fu et al., 2018 / licença CC BY 4.0; NIGPAS)



Os dinossauros que viveram durante o Jurássico poderiam sentir o odor das flores, de acordo com um estudo que descreveu a flor fóssil, possivelmente a mais antiga já registrada*.

A flor, batizada de Nanjinganthus dendrostyla, viveu há mais de 174 milhões de anos. Até agora, a mais antiga evidência amplamente aceita de uma planta com flores (Angiosperma), datava do período Cretáceo, cerca de 130 milhões de anos atrás.

Para descrever a flor antiga, os cientistas examinaram 264 amostras de 198 flores individuais que foram preservadas em lajes de rocha. Essas lajes vieram da Formação Xiangshan do Sul, uma área rochosa na região de Nanjing, na China, que contém fósseis do início do período jurássico. Os pesquisadores encontraram muitos espécimes fósseis detalhados da flor, que eles analisaram com microscópios de alta potência (elas são pequenas, como a foto mostra na comparação com uma moeda).

A flor tinha pétalas em forma de colher e um estilete grosso que saía do centro, pelo que se percebe dos fósseis. Uma característica importante das angiospermas vem dos óvulos totalmente fechados - precursores de sementes, que aparecem antes da polinização. A recém-descoberta N. dendrostyla possuia um receptáculo em forma de xícara e um teto ovariano que se juntam para envolver os óvulos e as sementes. Essa estrutura confirma que a nova planta era um angiosperma, disseram os pesquisadores.

Alguns dos pesquisadores do estudo também participaram de um estudo de 2015 sobre uma flor de 160 milhões de anos, informou a revista Live Science anteriormente. No entanto, esse espécime, apelidado de Euanthus panii, é controversa porque foi encontrado por um coletor de fósseis amador na China e sua idade é incerta.

No entanto esta descoberta é ainda fonte de controvérsia, um outro grupo de pesquisadores, acredita que se trata de uma Gimnosperma (grupo dos pinheiros), que confundiu os colegas que examinaram o material da China.

Em um estudo recente **, os cientistas mostraram que "o momento da origem das angiospermas é um tópico muito debatido na evolução das plantas. Análises de genética molecular que recuperam consistentemente idades pré-cretáceas para angiospermas corroem a confiança no registro fóssil, o que indica uma radiação e possivelmente também a origem dessas plantas no Cretáceo Precoce (145 milhões de anos). ... A análise crítica mostra que supostas angiospermas pré-cretáceas representam outros grupos de plantas ou falta de características que possam atribuí-las às angiospermas com confiança. No entanto, o registro pode vir a revelar a existência dessas plantas no jurássico tardio. Finalmente, examinamos vieses recentemente reconhecidos em datação molecular e argumentamos que uma integração ponderada de evidências fósseis e moleculares poderia ajudar a resolver esses conflitos."

Está aí, divergências, mas com elegância, propondo união de esforços, paleontologia e genética.




*https://elifesciences.org/articles/38827

An unexpected noncarpellate epigynous flower from the Jurassic of China.


**https://nph.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/nph.15708

How deep is the conflict between molecular and fossil evidence on the age of angiosperms?

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