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  • Kleber Del Claro

Um ano produtivo na Ciência. Que bom! Mas quando a necessidade de publicar se torna um pedra no cami


Há muita coisa mais importante do que publicar!

Esta não deve ser a pedra no seu caminho.

A publicação científica em revista indexada e de preferência internacional é um dos objetivos em ciência, mas não pode ser vista como "o principal".

Sim, você precisa publicar para conseguir um emprego como professor universitário, o caminho mais direto para se tornar um cientista. Ou para se manter na sua posição, garantir seus "status quo".

Mas você não pode fazer disso sua razão de viver.

Se o fizer, vai fracassar. A pedra ficará imensamente pesada.

A ciência é uma atividade integradora, que engloba o aprender e o ensinar. O caráter de transmitir conhecimento, apredendo com os questionamentos. Errar para descobrir a humildade dentro de si. Reconhecer que não sabe tudo. Que precisa do mais experiente para lhe indicar o caminho e do mais jovem para lhe questionar no momento certo, e mostrar o quanto ainda há que se aprender.

A escolha por ser cientista, é a escolha por ser sempre criança. Um descobridor, um aventureiro das coisa simples e complexas.

Uma pena é que muitos cientistas estejam esquecendo, e rapidamente, do porque fazer ciência. Isso ocorre, pois nesse caminho encontramos inimigos poderosos. Como a burocracia, as atividades administrativas nas universidades e o pior deles, a inveja que habita a mente dos infelizes. Que muitas vezes se intitulam, "seus colegas"! O bulling científico-universitário é em alguns casos incompreensível para mim. Quando vem de um jovem inexperiente, a gente até entende um pouco, falta caráter, quem mostre o caminho certo. Mas qual a glória em um pesquisador senior derrubar argumentos de um aluno de graduação? Fazendo chacota disso? Em plena sala de aula ou no laboratório? Porque colocar pedras no caminho dos jovens ao invés de retirá-las?

Quanta infelicidade vejo em mentes brilhantes com corações apodrecidos.

Em geral são essas pessoas amargas que colocam essa pedra no seu caminho. Elas encaram tudo como uma competição e fazem você acreditar nisso.

Você está competindo sim, mas isso é parte e não "o processo".

Ahh, meu índice H é maior que o seu!

Que horror! Antigamente as pessoas queriam que outras coisas fossem maiores. Ou melhores! Por exemplo, o tempo de um beijo, que essas pessoas não tem.

É sem dúvida uma idiotice completa definir o caráter da pesquisa de alguém pelo número de publicações e/ou de citações. As linhas de pesquisa são diferentes, um taxonomista de invertebrados marinhos terá menor visibilidade que um neurocientista. A ciência básica sempre terá um impacto maior a longo prazo, enquanto que a aplicada de imediato. As diferenças são gritantes, mas as pessoas querem enxergar um padrão homogêneo na diversidade randômica da ciência.

Ahh, publicou só um esse ano? É revista de impacto?

O produtivismo exacerbado em ciência leva ao erro, ao incompleto, o mal acabado, que é o que enxergamos hoje na maioria das submissões às revistas científicas. A quantidade está de longe superando a qualidade.

Tenho colegas que não publicam muito, mas publicam bem. Textos realmente bons, com dados realmente relevantes, que fazem a diferença. Não defendo aqui o incompetente, o prolixo, mas o dedicado, o cuidadoso, o zeloso do que faz. Mas essas pessoas estão hoje em depressão, pelas imposições do tempo, das urgências urgentíssimas que as fazem esquecer do belo em ciência, que é brincar. Como descobrir coisas realmente novas, se não se tem tempo e paz de espírito para experimentar, para errar e aprender com o erro.

E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música. FRIEDRICH WILHELM NIETZSCHE

Esses colegas que sabem o real valor da ciência, são em geral professores mais dedicados, pois sabem que o caminho para a boa ciência passa pela boa educação. Um professor-cientista dedicado não precisa publicar 100 papers em sua vida. Basta que encaminhe bem 5, 10 novos pesquisadores ao longo de sua vida acadêmica, para que produza uma transformação real no sistema. Para que se replique o pensamento do criar ciência educando para a ciência. A transmissão cultural dos reais valores científicos e sua divulgação são primordiais. Valores esses diretamente ligados à valorizar da verdade científica, a observação, seguida pela experimentação que cria, comprova ou destrona hipóteses ou pretensas verdades.

Publicar é sim importante. Não deixo isso de lado em momento algum. Em 2018, tive um ano muito bom.

Tive? Quem teve? Mérito só meu?

Esse é o outro lado de uma publicação.

Publicar é o final de um processo, de uma pesquisa bem elaborado, a chance de mostrar seus resultados. Mas o que é um paper para um professor universitário-cientista, senão a chance de mostrar o caminho! Então, eu não tive um ano produtivo. Nós tivemos!

Nós quem? A minha família que me apoiou, os órgãos de financiamento que apoiaram (CNPq, Fapemig, CAPES, UFU, USP, FINEP), os colegas colaboradores e principalmente, aqueles com quem mais aprendemos ensinando:

nossos alunos.

Publicar no tempo certo, com o gosto certo, com o sorriso e alegrias certeiras de um trabalho bem feito, com todas as suas etapas de mãos dadas com um aluno é o que tira a pedra do caminho. Cada paper publicado nesse quadro acima, a maioria dos trabalhos publicados na minha vida, tem por trás a história de um aluno. Um sonho, uma esperança, vitórias e derrotas, doenças e superações, luta. É isso que me move a ajudar a tirar as pedras do caminho.

As vitórias vem da união, do trabalho conjunto, dos sonhos comuns. E tudo isso leva tempo, não acontece do dia para a noite. Veja a figura, leva tempo para gente começar a crescer. Há que se ter paciência e perceverança.

Então não deixe que as pressões impostas por outros se tornem pedras em seu caminho. Busque sempre quem lhe estenda a mão verdadeiramente.

Eu tive muitas mãos nas quais me agarrar e sou grato a cada uma delas.

Quer ser cientista? Terá que produzir, que publicar. Mas o faça com prazer, com orgulho, com honestidade. Não chegue ao fim do caminho arrastando pedras que você mesmo criou ou acolheu. Brinque com elas! As coloque num estilingue e jogue para longe!

O importante é fazer ciência sorrindo, com cumplicidade entre parceiros, com alegria.

O cientista não pode esquecer de brincar.

Kleber Del Claro

PS.: Muito obrigado aos meus alunos e amigos brincalhões por esse ótimo 2018.

A sua esperança de um futuro melhor é o que move.


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