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Damselflies, as Bailarinas da Natureza - em um estudo de Fernanda Alves Martins.


As libélulas são organismos encantadores. Quando decidi orientar Fernanda Alves Martins com esses animais tão pequenos e delicados, nunca imaginei quantas surpresas esse mundo escondido nos guardava. Não sabia também quanta dedicação seria necessária para que tivéssemos sucesso em estudar esses animais que executam verdadeiros balés na beira d'água.

Como entender os mistérios escondidos nesse show de danças?

De sol a sol, dias, semanas, meses se passaram sem que Fernanda tivesse os primeiros dados um pouco mais promissores. Mas, enfim, após muito esforço (mais de 100 horas de observação de campo, divididas em sessões de 20 minutos), os resultados vieram.

Estudando um pequeno Zygoptera, Telebasis carmesina (Coenagrionidae) em lagoas de cerrado fizemos descobertas incríveis.

Machos e fêmeas diferem em coloração, os machos são muito mais abundantes que as fêmeas, 8 a 9 machos para cada fêmea. Machos são coloridos, avermelhados e as fêmeas bem pálidas. Os machos guardam territórios na beirada das lagoas onde disputam ferrenhamente as fêmeas que ali se aproximam para acasalar com outros machos. Um tenta atrapalhar a cópula do outro o tempo todo. Quando consegue a cópula o macho mantém uma postura que definimos como de "wheel" , veja a foto ao lado. O macho agarra a fêmea pela cabeça usando seus cercos, projeções do final do corpo e a força a inserir seu receptáculo genital no segundo seguimento do abdome do macho onde está o edeago, pênis, que a inseminará. Terminada a cópula o macho obriga a fêmea a mergulhar com ele, por até 20 minutos e enquanto ela não colocar os ovos fecundados em ramos de plantas aquáticas escolhidas pelo macho, ele não a libertará.

Isso nos parece muito violento, cruel, mas são as regras da natureza. O macho escolhe e defende os melhores lugares onde sua prole (cria) se desenvolverá, onde terá mais alimento e menos inimigos, competidores. A fêmea, copula, põe seus ovos e vai embora, para copular com outros machos mais tarde. Então, o macho dono do território tem que ao menos ter certeza da paternidade e por isso guarda a fêmea durante a cópula e oviposição como um verdadeiro recurso, sua última chance de sobrevivência futura, de deixar descendentes.

O jogo da vida é cheio de artimanhas, de disputas, de loucos romances que quase terminam em afogamento, e muitas vezes na boca de um peixe! Essa é a vida das libélulas!

A Ciência que nós fazemos orgulha-se de Fernanda fazer parte de nosso time!

Vejam o PDF e todos os autores em www.leci.ib.ufu.br


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